Inflação volta a subir: por que a projeção de 5,11% acende alerta para juros e economia
Atualizado em 08/06/2026 às 12:10
Gráfico de inflação em alta diante da bandeira do Brasil, simbolizando a pressão crescente sobre a economia nacional. (fonte: Ilustração / Diário Nexus).
O mercado financeiro elevou novamente a previsão de inflação para este ano, agora em 5,11%, rompendo o teto da meta e pressionando o Banco Central a manter juros altos por mais tempo. O avanço reflete tensões externas, alta dos combustíveis e alimentos, reacendendo o risco de perda de poder de compra e desaceleração econômica.
O que está acontecendo
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) mostra que a projeção do IPCA para este ano subiu de 5,09% para 5,11%, marcando a 13ª semana consecutiva de alta. A meta de inflação é de 3%, com teto de 4,5%, o que significa que a estimativa do mercado já está acima do limite permitido.
Segundo o relatório, a pressão vem principalmente da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço dos combustíveis, e da alta dos alimentos, que puxaram o IPCA de abril para 0,67%. Em 12 meses, a inflação está em 4,39%.
A inflação de maio será divulgada pelo IBGE na próxima sexta-feira (12).
Projeções para os próximos anos
O Focus também revisou as expectativas futuras:
• 2027: de 4,02% para 4,03%
• 2028: 3,65%
• 2029: 3,5%
Juros: Selic deve cair mais devagar
Para conter a inflação, o Banco Central mantém a Selic em 14,5% ao ano. O Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual na última reunião, mas o cenário internacional dificulta cortes mais agressivos.
O mercado agora prevê:
• Final de 2026: 13,5%
• 2027: 11,5%
• 2028: 10%
• 2029: 10%
O próximo encontro do Copom será nos dias 16 e 17 de junho.
PIB e dólar: economia avança pouco, câmbio segue pressionado
A projeção de crescimento do PIB para este ano subiu de 1,9% para 1,91%. Para 2027, permanece em 1,7%, e para 2028 e 2029, o mercado espera expansão de 2%.
O dólar deve fechar 2026 em R$ 5,15 e 2027 em R$ 5,20.
Impacto prático para o leitor
A inflação mais alta combinada com juros elevados significa:
• crédito mais caro
• financiamentos mais difíceis
• consumo mais fraco
• risco de desaceleração econômica
• perda de poder de compra, especialmente para famílias de baixa renda
Para Santa Catarina, o impacto tende a ser maior no setor de serviços e no varejo, que já operam com margens apertadas.
Leitura Nexus: o que observar daqui pra frente
A elevação contínua das projeções indica que o mercado não acredita em alívio rápido da inflação. O Banco Central deve manter postura mais dura, segurando a Selic em patamar elevado por mais tempo.
Para o leitor, o ponto-chave é acompanhar o impacto dos combustíveis e alimentos, que seguem como vilões da inflação. Se a guerra no Oriente Médio se prolongar, o cenário pode piorar.
No curto prazo, a tendência é de economia mais lenta e crédito restrito. No médio prazo, tudo dependerá da capacidade do governo de controlar gastos e do comportamento do dólar.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus