Endividamento recorde no Brasil: falta de educação financeira e desigualdade ampliam risco para famílias

W. Martins
Redator

Atualizado em 12/06/2026 às 11:53

Endividamento recorde no Brasil: falta de educação financeira e desigualdade ampliam risco para famílias

Alta do endividamento expõe fragilidades financeiras das famílias e desigualdade no acesso ao crédito. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).

O número de brasileiros endividados atingiu 81,6% em maio, o maior patamar da série histórica. Especialistas apontam que a combinação de baixa educação financeira, desigualdade socioeconômica e juros elevados cria um ciclo que favorece o sistema financeiro e aprisiona famílias em dívidas cada vez mais caras.


Endividamento atinge novo recorde

Segundo a CNC, o percentual de brasileiros endividados subiu pelo quinto mês seguido e alcançou 81,6% em maio. No mesmo período do ano passado, o índice era de 78,2%, mostrando uma deterioração contínua da capacidade de pagamento das famílias.

O cartão de crédito segue como o principal responsável pelo avanço das dívidas. Com juros que podem ultrapassar 400% ao ano, ele se torna um dos instrumentos mais agressivos para quem perde o controle financeiro.

O peso da desigualdade e da falta de orientação

Para o economista Fernando Agra, a combinação de baixa educação financeira e desigualdade socioeconômica cria um ambiente propício ao endividamento. Ele afirma que muitos consumidores não compreendem o custo real do crédito e acabam estimulados por ofertas excessivas.

Com inflação elevada e preços mais altos, famílias de baixa renda têm dificuldade crescente para pagar contas básicas. O resultado é a busca por crédito caro, que rapidamente se transforma em dívida impagável.

Sistema financeiro se beneficia do cenário

Agra destaca que o atual ambiente é vantajoso para o sistema financeiro, que lucra com o aumento de empréstimos e juros rotativos. A falta de regulação mais rígida sobre ofertas de crédito contribui para a expansão desse mercado.

Segundo ele, a ausência de limites claros e a facilidade para contratar crédito fazem com que consumidores vulneráveis se tornem dependentes de dívidas cada vez mais caras.

Como tentar sair do ciclo

O economista recomenda que o primeiro passo é organizar todas as dívidas no papel, identificando valores, prazos e taxas de juros. A partir disso, é possível buscar renegociação com credores e avaliar alternativas com juros menores.

A troca de dívidas, quando feita com planejamento, pode reduzir o custo total e evitar que o consumidor se torne refém do crédito rotativo do cartão.

Leitura Nexus: por que o endividamento virou regra no Brasil

O avanço do endividamento não é apenas reflexo de má gestão individual, mas de um modelo econômico que empurra famílias para o crédito caro. A ausência de educação financeira nas escolas e a desigualdade estrutural tornam o problema recorrente.

O cartão de crédito, embora útil, se tornou um mecanismo de transferência de renda para o sistema financeiro. Juros acima de 400% ao ano criam um ambiente em que sair do rotativo é quase impossível para quem já está vulnerável.

A tendência para os próximos meses dependerá da inflação e do mercado de trabalho. Se os preços continuarem pressionados, o número de endividados pode subir ainda mais, exigindo políticas públicas mais robustas de proteção ao consumidor.

Encerrando a análise

O recorde de endividamento revela um país onde o crédito caro substitui a renda insuficiente e onde a falta de orientação financeira amplia vulnerabilidades. Sem mudanças estruturais, o ciclo tende a se repetir.

A combinação de renegociação, educação financeira e políticas de proteção ao consumidor será essencial para evitar que mais brasileiros se tornem reféns do próprio dinheiro.

Edição e Análise: Redação Diário Nexus

Fonte da Informação: Portal R7