Acordo EUA-Irã: proposta prevê liberação de US$ 24 bilhões e suspensão de sanções em meio a nova escalada militar
Atualizado em 12/06/2026 às 06:43
Aperto de mãos entre representantes dos EUA e do Irã simboliza tentativa de acordo em meio a tensões militares e econômicas. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
A proposta de acordo entre Estados Unidos e Irã inclui a liberação de US$ 24 bilhões em ativos congelados, suspensão de sanções e retirada de forças americanas da região. O avanço ocorre em meio a ataques recentes, disputas diplomáticas e versões conflitantes sobre a aprovação do texto.
O que está na proposta
Segundo agências iranianas, o memorando de entendimento prevê a liberação de ativos, o fim das hostilidades e a abertura de 60 dias de negociações para um novo acordo nuclear. O texto também incluiria a retirada de tropas dos EUA próximas ao Irã e o fim do bloqueio naval no Estreito de Ormuz.
A mídia estatal afirma que o acordo encerraria confrontos em todas as frentes, inclusive no Líbano, e restabeleceria rotas marítimas estratégicas. A proposta surge após dias de ataques entre os dois países, reacendendo tensões que vinham sendo contidas por um cessar-fogo.
Trump anuncia avanço, mas Teerã nega aprovação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo foi aprovado “por toda a liderança iraniana”, incluindo o líder supremo. Ele disse que a assinatura pode ocorrer no fim de semana, possivelmente na Europa, com presença do vice JD Vance.
Minutos depois, porém, a agência estatal Fars negou que qualquer texto tenha sido aprovado. Segundo Teerã, não há memorando finalizado e as negociações continuam. A divergência expõe a fragilidade do processo e a disputa narrativa entre os dois governos.
Trump também afirmou ter cancelado ataques planejados para a noite após o suposto avanço diplomático. Ele disse que a operação na ilha de Kharg, ponto estratégico para exportação de petróleo iraniano, “está fora da mesa”.
Escalada militar antes do anúncio
A aproximação diplomática ocorre após três noites de ataques entre EUA e Irã. A nova escalada começou com a queda de um helicóptero americano no Estreito de Ormuz, que Washington atribuiu a Teerã. O Irã negou, mas os EUA retaliaram com bombardeios a sistemas de defesa iranianos.
O Irã respondeu com ataques a bases americanas no Bahrein e em países do Golfo. Em seguida, anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais importantes do mundo, elevando o risco de impacto global no mercado de petróleo.
Por que isso importa
A liberação de ativos e a suspensão de sanções podem aliviar a economia iraniana, pressionada por anos de isolamento. Para os EUA, o acordo busca conter a escalada militar e impedir que o Irã avance em seu programa nuclear.
A instabilidade no Estreito de Ormuz também preocupa o mercado global de energia, já que cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região. Qualquer interrupção prolongada pode elevar preços e gerar impactos econômicos internacionais.
Leitura Nexus: o que está por trás do acordo
A proposta surge como uma tentativa de conter uma escalada que poderia se transformar em conflito regional. A troca de ataques mostrou que ambos os lados testam limites, mas também buscam evitar um confronto direto de grandes proporções.
A divergência entre as declarações de Trump e a resposta iraniana indica que o acordo ainda está longe de ser sólido. A disputa narrativa faz parte da estratégia diplomática, mas aumenta a incerteza sobre a real disposição de Teerã em aceitar os termos.
O comportamento do Irã nos próximos dias será decisivo. Se o país mantiver o fechamento do Estreito de Ormuz, a pressão internacional deve crescer, dificultando a assinatura do acordo e ampliando o risco de novos confrontos.
Encerrando a análise
A proposta de acordo entre EUA e Irã representa um raro avanço diplomático após dias de tensão militar. No entanto, as versões conflitantes sobre sua aprovação mostram que o processo ainda é frágil e pode ser revertido rapidamente.
Os próximos dias serão decisivos para saber se o entendimento se concretiza ou se a região volta a enfrentar uma escalada que ameaça a estabilidade global. Até lá, o cenário permanece volátil e sujeito a mudanças bruscas.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus