Tren de Aragua em Roraima: como a facção venezuelana se infiltrou no Brasil e transformou a fronteira em corredor do crime

W. Martins
Redator

Atualizado em 13/06/2026 às 07:48

Tren de Aragua em Roraima: como a facção venezuelana se infiltrou no Brasil e transformou a fronteira em corredor do crime

Montagem mostra a presença do Tren de Aragua na fronteira Brasil–Venezuela, destacando o impacto do crime organizado sobre refugiados e garimpos ilegais em Roraima. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).

Investigações revelam que o Tren de Aragua expandiu sua atuação em Roraima por meio de tráfico, garimpo ilegal e exploração de imigrantes. A facção venezuelana consolidou rotas, alianças e esquemas violentos que impactam diretamente a segurança na fronteira e a vida de milhares de refugiados.


O que está acontecendo em Roraima

Nos últimos anos, a polícia identificou a presença crescente do Tren de Aragua em municípios estratégicos de Roraima. A facção opera com tráfico de drogas, armas, exploração sexual, extorsão e controle de rotas clandestinas usadas para contrabando e circulação de criminosos entre Brasil e Venezuela.

A descoberta de cemitérios clandestinos, corpos mutilados e execuções com extrema violência reforça o padrão de brutalidade trazido da Venezuela. As vítimas, em sua maioria venezuelanas, são alvo de punições internas, disputas territoriais e tentativas de fuga da facção.

Como a facção entrou no Brasil

A infiltração começou por volta de 2016, quando criminosos cruzaram a fronteira aproveitando a crise humanitária venezuelana. Com a queda de Tocorón em 2023, líderes do grupo migraram para áreas próximas ao Brasil, reorganizando operações em Las Claritas e Pacaraima.

A região oferece terreno favorável: fronteira aberta, trilhas clandestinas e garimpos ilegais que funcionam como fonte de lucro e refúgio. A facção encontrou no lado brasileiro melhores condições para lavar dinheiro, recrutar mão de obra e expandir negócios ilícitos.

O papel do garimpo ilegal

A mineração ilegal se tornou uma das principais fontes de renda do Tren de Aragua no Brasil. Armas desviadas da Venezuela abastecem garimpos, enquanto combustíveis, alimentos e maquinário são transportados por rotas clandestinas controladas pela facção.

Pacaraima funciona como hub logístico, enquanto Boa Vista concentra microtráfico e distribuição de drogas, especialmente skunk. Parte das armas de alto calibre segue para o Amazonas e para facções brasileiras no Sudeste, fortalecendo redes criminosas nacionais.

Exploração de imigrantes e violência nos abrigos

A facção se aproveita da vulnerabilidade de refugiados venezuelanos para recrutar trabalhadores para garimpos, transporte de drogas e prostituição. Muitos são enganados com falsas promessas de emprego e acabam submetidos a trabalho forçado e dívidas impagáveis.

Relatos apontam extorsões, agressões e abusos sexuais dentro e fora dos abrigos da Operação Acolhida. Criminosos cobravam taxas por acesso a áreas internas e até por alimentos gratuitos, criando um ambiente de medo e controle sobre famílias recém-chegadas.

A violência extrema como marca registrada

O Tren de Aragua é conhecido pela brutalidade. Corpos decapitados, mutilados e descartados em áreas de mata se tornaram parte das investigações em Boa Vista. A polícia aponta que muitos assassinatos seguem o modelo do “tribunal do crime” venezuelano.

Mesmo com a queda de 53,8% nos homicídios dolosos entre 2021 e 2024, segundo o Atlas da Violência, a presença da facção continua sendo um fator de instabilidade e preocupação para autoridades estaduais e federais.

Leitura Nexus: o que a expansão do Tren de Aragua revela sobre a fronteira

A atuação do Tren de Aragua expõe a fragilidade histórica da fronteira Brasil–Venezuela, marcada por baixa fiscalização, rotas clandestinas e garimpos que funcionam como zonas de ninguém. A facção se aproveitou desse vácuo para criar um corredor de lucro e violência.

A simbiose com facções brasileiras, como PCC e CV, mostra que o crime organizado opera hoje em escala transnacional. Armas, drogas e pessoas circulam com facilidade, enquanto o Estado enfrenta dificuldades para controlar áreas remotas e de difícil acesso.

O ponto de atenção é claro: sem reforço de inteligência, presença policial e políticas de proteção a imigrantes, a facção tende a se consolidar ainda mais. O impacto recai principalmente sobre refugiados, que se tornam alvos preferenciais de exploração e violência.

Encerrando a análise

A expansão do Tren de Aragua em Roraima é resultado de uma combinação de fronteira vulnerável, crise migratória e presença de economias ilegais como o garimpo. A facção encontrou terreno fértil para se estabelecer e formar alianças com grupos brasileiros.

O desafio agora é impedir que o corredor do crime se fortaleça. A resposta depende de integração entre forças de segurança, políticas migratórias mais robustas e ações que protejam imigrantes da exploração criminosa.

Edição e Análise: Redação Diário Nexus

Fonte da Informação: Portal G1