Novo entre Zema e o PL: partido tenta se firmar como alternativa à direita enquanto depende de alianças estaduais

W. Martins
Redator

Atualizado em 13/06/2026 às 07:26

Novo entre Zema e o PL: partido tenta se firmar como alternativa à direita enquanto depende de alianças estaduais

Imagem simboliza o embate estratégico entre os partidos Novo e PL, representando a disputa pela direita liberal nas eleições de 2026. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).

Ao apostar em Romeu Zema para a Presidência, o Novo tenta ocupar o espaço da direita liberal e se diferenciar do bolsonarismo. Nos estados, porém, a legenda mantém alianças com o PL para ampliar bancadas e romper a cláusula de barreira, criando tensões internas e desafios estratégicos.


A estratégia nacional do Novo

O partido vê em Zema a chance de construir uma identidade nacional mais sólida, apresentando-se como alternativa conservadora moderada. A direção avalia que chega a 2026 mais estruturada, com maior presença territorial e recursos acumulados após rever a política de não usar fundos públicos.

Segundo o presidente Eduardo Ribeiro, o Novo deve disputar a eleição com orçamento entre R$ 80 e R$ 90 milhões, além de R$ 37 milhões do Fundo Eleitoral. A sigla aposta que esse reforço financeiro permitirá repetir o salto obtido nas eleições municipais de 2024, quando multiplicou o número de prefeitos e vereadores.

A dependência das alianças com o PL

Apesar do discurso de independência, o Novo mantém alianças com o PL em estados estratégicos. A justificativa é pragmática: garantir nominatas completas, ampliar bancadas e atingir a cláusula de barreira, que exige 2,5% dos votos válidos em nove estados ou a eleição de 13 deputados federais.

Em Santa Catarina, o partido compõe a chapa de Jorginho Mello. No Paraná, integra o palanque de Sergio Moro, articulado por Flávio Bolsonaro. No Rio Grande do Sul, Marcel Van Hattem disputa o Senado ao lado de Luciano Zucco, reforçando a convivência entre Novo e PL no campo regional.

A crise causada pelas falas de Zema

O equilíbrio entre independência e alianças ficou abalado após Zema criticar Flávio Bolsonaro por cobranças ao banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. A fala foi vista como precipitada por diretórios que dividem palanque com o PL e gerou desconforto imediato.

Após pressão interna, Zema recuou e voltou a direcionar críticas ao presidente Lula, reduzindo o desgaste com aliados regionais. A mudança de tom acalmou os diretórios, mas não trouxe ganhos significativos nas pesquisas nacionais.

Terceira via segue fragmentada

Pesquisas recentes mostram que a disputa pela terceira via permanece embolada. Renan Santos (Missão) aparece numericamente à frente de Zema, ambos com desempenho modesto e sem romper a barreira dos 3%, o que evidencia a dificuldade de consolidar um nome competitivo fora dos polos tradicionais.

Mesmo se identificando como direita, Renan tem atacado Flávio Bolsonaro com mais intensidade que Lula, criando um novo eixo de disputa dentro do campo conservador. Essa postura o diferencia de Zema e amplia a fragmentação da terceira via.

Leitura Nexus: o dilema estratégico do Novo

O Novo tenta se consolidar como alternativa liberal, mas enfrenta o desafio de crescer sem romper com o bolsonarismo nos estados. A dependência das alianças regionais mostra que a legenda ainda não tem força suficiente para caminhar sozinha no cenário nacional.

A candidatura de Zema busca dar identidade ao partido, mas sua dificuldade em avançar nas pesquisas indica que o eleitorado de direita permanece concentrado em nomes mais tradicionais. Isso limita o espaço para um projeto liberal puro.

O ponto-chave será observar se Zema consegue romper a estagnação e se o Novo ampliará sua bancada federal. Sem isso, o discurso de independência continuará limitado pela necessidade de alianças pragmáticas com o PL.

Encerrando a análise

O Novo vive um momento de expansão, mas também de contradições. Enquanto tenta se posicionar como alternativa nacional, depende de alianças regionais com o PL para sobreviver eleitoralmente e cumprir a cláusula de barreira.

O desempenho de Zema e a capacidade de formar nominatas competitivas serão decisivos para definir se o partido conseguirá consolidar seu espaço e reduzir a dependência de acordos que tensionam sua narrativa de independência.

Edição e Análise: Redação Diário Nexus

Fonte da Informação: Portal G1