Golpe da falsa prova de vida: criminosos miram aposentados e ampliam risco digital no país
Atualizado em 11/06/2026 às 12:54
Representação da vulnerabilidade de aposentados diante de um golpe que explora videochamadas e dados biométricos falsos para fraudar sistemas de autenticação. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
A digitalização dos serviços públicos trouxe agilidade, mas também abriu espaço para golpes cada vez mais sofisticados. A nova fraude envolvendo a prova de vida do INSS já fez vítimas em todo o Brasil e expõe a vulnerabilidade de aposentados e pensionistas diante de criminosos que exploram medo, urgência e desinformação.
Como o golpe funciona
Nos últimos meses, aposentados e pensionistas passaram a relatar abordagens suspeitas envolvendo supostas pendências na prova de vida do INSS. Os criminosos entram em contato por telefone, WhatsApp, SMS ou até mesmo presencialmente, se passando por funcionários do instituto ou representantes autorizados. O discurso é sempre o mesmo: existe uma irregularidade que precisa ser resolvida imediatamente para evitar o bloqueio do benefício.
A estratégia se apoia na pressão psicológica. Ao criar um clima de urgência, os golpistas tentam impedir que a vítima confirme a informação pelos canais oficiais. Durante a abordagem, solicitam dados pessoais, informações bancárias e até códigos de autenticação enviados por SMS, alegando que fazem parte do processo de regularização.
Em casos mais sofisticados, os criminosos realizam videochamadas e pedem que a vítima faça movimentos faciais, leia códigos ou mostre documentos. Essas imagens podem ser usadas para tentar burlar sistemas de biometria utilizados por bancos, fintechs e plataformas digitais.
O que os golpistas tentam obter
Os criminosos buscam o máximo de informações possíveis para aplicar fraudes financeiras. Entre os dados mais solicitados estão CPF, RG, número do benefício, comprovantes de residência, fotos de documentos e até senhas ou códigos de autenticação. Com esses dados, é possível abrir contas fraudulentas, contratar empréstimos, acessar serviços públicos e realizar transações bancárias em nome da vítima.
A coleta de imagens faciais é uma das modalidades mais perigosas. Com o avanço da biometria, criminosos tentam usar vídeos e fotos para enganar sistemas de reconhecimento, ampliando o risco de prejuízos financeiros e roubo de identidade.
O que mudou na prova de vida
O processo de prova de vida passou por mudanças importantes nos últimos anos. Hoje, a comprovação ocorre de forma automática, por meio do cruzamento de dados governamentais, como emissão de documentos, vacinação, atendimentos no SUS e movimentações oficiais. Na prática, a maioria dos segurados não precisa realizar nenhum procedimento adicional.
O INSS reforça que não realiza prova de vida por telefone, WhatsApp, SMS, e-mail ou videochamada. Quando alguma atualização é necessária, a comunicação ocorre exclusivamente pelos canais oficiais do governo ou pelas instituições financeiras responsáveis pelo pagamento do benefício.
Como se proteger
Especialistas em segurança digital recomendam medidas simples para evitar fraudes. A primeira é nunca compartilhar senhas, códigos de verificação ou dados bancários por telefone ou aplicativos de mensagem. Também é essencial evitar clicar em links suspeitos enviados por SMS ou WhatsApp, que podem direcionar para páginas falsas.
Outra recomendação é não instalar aplicativos indicados por desconhecidos, já que muitos golpes utilizam programas que permitem acesso remoto ao celular. Em caso de dúvida, o segurado deve consultar apenas o aplicativo Meu INSS ou ligar para a Central 135.
Leitura Nexus: por que o golpe cresce e o que observar
O avanço desse golpe mostra como criminosos estão explorando a transição digital do setor público. A combinação de medo, urgência e desconhecimento cria o ambiente perfeito para fraudes direcionadas a um público mais vulnerável, como aposentados e pensionistas.
A tendência é que golpes envolvendo biometria e videochamadas se tornem mais frequentes, já que sistemas de autenticação digital estão cada vez mais presentes em bancos e serviços públicos. Isso exige atenção redobrada e campanhas permanentes de orientação.
O ponto central daqui para frente é a conscientização. Quanto mais beneficiários souberem que o INSS não solicita dados por telefone ou aplicativos, menor será o espaço para a atuação dos criminosos. Informação continua sendo a principal ferramenta de proteção.
Para fechar esta reportagem
Com o aumento das tentativas de fraude, a recomendação é manter cautela diante de qualquer contato inesperado relacionado ao benefício previdenciário. O INSS reforça que não solicita senhas, dados bancários ou biometria por telefone, e que todas as informações devem ser verificadas pelos canais oficiais.
Em um cenário de golpes cada vez mais sofisticados, prevenção e informação são essenciais para proteger dados pessoais e evitar prejuízos financeiros. A atenção deve ser constante, especialmente entre aposentados e pensionistas.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus