Ataque em Beirute aumenta tensão: Israel mira Hezbollah horas antes de possível acordo entre EUA e Irã
Atualizado em 14/06/2026 às 13:26
Bandeiras de Israel e do Irã se sobrepõem a uma cidade em chamas, simbolizando a tensão crescente entre os dois países após novos ataques em Beirute. (Fonte: Ilustração / Diário Nexus).
Israel bombardeou neste domingo (14) áreas de Beirute usadas pelo Hezbollah, elevando a tensão regional justamente no dia em que se espera a assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. A ofensiva reacende dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo e pressiona as negociações conduzidas por Washington, Teerã e mediadores regionais.
O ataque israelense e a resposta imediata
O Exército de Israel confirmou ter realizado ataques contra infraestrutura do Hezbollah em Beirute, gerando uma grande nuvem de fumaça sobre a capital libanesa. O gabinete de Benjamin Netanyahu afirmou que a ação foi uma resposta direta ao lançamento de três projéteis contra o norte de Israel horas antes.
Segundo o jornal “Axios”, a operação foi comunicada ao Centro de Comando Militar dos EUA na região. Imagens divulgadas pelos militares israelenses mostram explosões e colunas de fumaça, reforçando o clima de escalada no momento mais sensível das negociações de paz.
Reações do Irã e críticas ao papel dos EUA
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o ataque demonstra “falta de vontade ou capacidade” dos EUA de cumprir compromissos assumidos. Para ele, Washington não conseguirá obter concessões ao permitir ações israelenses em território libanês.
O vice-comandante das Forças Armadas do Irã também declarou que os ataques “não ficarão sem resposta”, ampliando o risco de uma nova rodada de retaliações entre Teerã e Tel Aviv.
Trump pede contenção e tenta salvar o acordo
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou o ataque israelense e pediu que todas as partes evitem ações que possam comprometer o acordo de paz. Ele afirmou que o projétil lançado pelo Hezbollah era “insignificante” e que o momento exige recuo para evitar o colapso das negociações.
Trump reforçou que o acordo com o Irã está “muito próximo” e que a reabertura do Estreito de Ormuz deve ocorrer imediatamente após a assinatura. A fala tenta conter danos diplomáticos em um dia considerado decisivo.
Escalada recente e histórico de confrontos
O ataque deste domingo ocorre uma semana após Israel bombardear subúrbios de Beirute, desencadeando a pior escalada desde o cessar-fogo de abril. Na ocasião, o Irã retaliou com ataques diretos, e Israel respondeu no dia seguinte, ampliando o conflito.
O Hezbollah já havia disparado mísseis contra Israel em março, após ofensivas conjuntas de EUA e Israel contra o Irã. Desde então, tropas israelenses aprofundaram sua presença no Líbano, atingindo o maior nível de incursão em mais de 25 anos.
Negociações avançam apesar da tensão
Mediadores do Catar viajaram a Teerã neste domingo para finalizar os termos do acordo. Fontes regionais afirmam que há “otimismo cauteloso” de que EUA e Irã estejam próximos de um entendimento capaz de interromper hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz.
A assinatura deve ocorrer de forma eletrônica, sem cerimônia presencial. O documento prevê 60 dias de discussões técnicas sobre temas sensíveis, como o programa nuclear iraniano e ativos congelados.
Limites do acordo e críticas internas
Embora avance na redução imediata da violência, o acordo não resolve questões centrais, como o enriquecimento de urânio e o apoio iraniano a grupos aliados. Críticos do Partido Republicano afirmam que o pacto não supera os termos do acordo nuclear de 2015.
Trump deve discutir a remoção de minas no Estreito de Ormuz durante a cúpula do G7, reforçando a importância estratégica da rota para o fluxo global de petróleo e fertilizantes.
O programa nuclear iraniano segue no centro da disputa
A Agência Internacional de Energia Atômica estima que o Irã possui 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60%, nível próximo ao necessário para armas nucleares. Teerã insiste que o programa tem fins pacíficos e não se comprometeu a abrir mão do material.
Instalações subterrâneas danificadas por ataques americanos no ano passado continuam sendo ponto de tensão, e não está claro como o novo acordo abordará essas estruturas.
Leitura Nexus: o impacto da ofensiva israelense no acordo EUA–Irã
O ataque em Beirute ocorre no pior momento possível para as negociações, pois reforça a percepção iraniana de que os EUA não controlam seus aliados e não conseguem garantir estabilidade mínima. Isso fragiliza a confiança necessária para a assinatura do acordo.
Para Israel, a ofensiva é uma demonstração de força contra o Hezbollah, mas também pressiona Washington e pode gerar atritos diplomáticos. A ação expõe a dificuldade de conciliar interesses militares israelenses com a estratégia americana de desescalar o conflito.
Os próximos dias serão decisivos: se novas ofensivas ocorrerem, o acordo pode ser adiado ou até implodir. Se houver contenção, a assinatura pode abrir uma janela rara de estabilidade no Oriente Médio.
O que observar a seguir
A continuidade dos ataques no Líbano ou em Israel será o principal termômetro da viabilidade do acordo. Qualquer nova escalada pode inviabilizar a assinatura prevista para este domingo.
Também será crucial acompanhar a posição do Irã sobre o programa nuclear e a resposta de Israel à possível reabertura do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para a economia global.
Edição e Análise: Redação Diário Nexus